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  • Ana Bueno

Eu, você, o lixo e o século XXI




Eu quero compartilhar uma coisa que mudou em mim, na verdade eu já vinha iniciado essa mudança mas estou feliz em ter colocado essa meta em prática.

Estou separando e lavando o lixo reciclável, enterrando o lixo orgânico e está sobrando muito pouco lixo para jogar para a coleta. Eu reduzi em 70% o lixo que descartava. Aí eu fiquei pensando que se todo mundo fizesse isso em Paraty, a gente reduziria muito o volume de lixo a ser coletado...e fortaleceria a cooperativa e investimentos em projetos de reciclagem, que podem gerar lucro a médio prazo e atrair novos investidores para a cidade.

Já tinha tentado separar o lixo no restaurante também, mas difícil contar com a colaboração de todos, mesmo por que não há ainda coleta seletiva organizada na cidade...mas no que depender da minha ajuda, terá!

Eu quero muito fazer parte dessa mudança e motivar os outros donos de restaurante a fazerem também. Tem 72 restaurantes no Centro Histórico e se começarmos por lá, acho que a prefeitura dá conta da coleta, diminuiremos o lixo comum que é jogado em um aterro sanitário e custa bem caro para a prefeitura e ainda serviremos de referência para a população. A minha única preocupação é com a Cooperativa dos Catadores da cidade que não tem uma estrutura muito boa ainda. Mas podemos ajudar eles também, na melhoria de espaço, aquisição de equipamentos e busca de contatos para o destino dos resíduos.

Acredito muito no trabalho conjunto do trade unido ao trabalho da prefeitura. Acho que essa parceria pode trazer muitos benefícios para as cidades. A cobrança é sempre importante, relembrar os políticos sobre o dever deles, mas acho importante também a gente conhecer os limites das administrações e somar para viabilizar as ações.

A gente vive num país que há muitas coisas estruturais a serem feitas e a maior parte dos municípios brasileiros não apresenta um plano de política pública para o manuseio e descarte do lixo produzido. É preciso entender que o lixo não representa uma dicotomia na lista de prioridades como a educação e a saúde, ele faz parte de diferentes setores e sustentabilidade do planeta. É um dever dos políticos e da população buscar soluções e praticar ações sustentáveis.

E isso faz parte de uma formação que vem de base. Em todo o Brasil vivemos a controvérsia, de sermos um dos maiores produtores de alimento do mundo e ao mesmo tempo com maiores índices de pessoas passando fome!

Segundo a Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, cada brasileiro joga fora por ano 40k de comida, os alimentos que mais vão para o lixo são arroz, feijão, carne bovina e frango.

Segundo a FAO – que é um braço das Nações Unidas para a alimentação, um terço de toda produção de alimento do mundo vai para o lixo, o que equivale 1 bilhão e 300 mil toneladas de comida por ano, isso seria suficiente para alimentar 2 bilhões de pessoas! Com

base nesses dados dá para estimar que 8,7 milhões de toneladas de alimentos são desperdiçados anualmente aqui no Brasil, e o que seria suficiente para acabar com a fome no país.

Segundo a Embrapa 61 por cento dos brasileiros jogam comida fora por que compram demais, não estoca direito ou colocaram comida demais no prato.

Ainda segundo a Embrapa 50 por cento dos alimentos no Brasil são jogados fora antes de chegar as casas das pessoas, por serem considerados feios, pelo formato estranho...acabam indo para o lixão.

E pasmem, 1 bilhão de pessoas no mundo passam fome, ou seja, 1 a cada 8 pessoas!

Alimento e lixo, são o começo e o fim do ciclo da vida. Demorou 49 anos para eu realmente me impor esse desafio e me colocar aqui a disposição de qualquer movimento para mudar a realidade do lixo na minha cidade!

E eu já comecei! Na minha rua todo mundo está separando o lixo. O caminhão da cooperativa passa toda quarta e a gente doou 500 adesivos para eles sinalizarem as casas que estão participando desse movimento.

A ideia é motivar todo mundo a entrar nessa agenda, que é não é nova mas é totalmente comprometida com o século XXI.

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